Marchetteiras: Funk Rock Nervoso


Existem fatos marcantes na vida que com o tempo esquecemos e outros considerados bobos que ficam na memória como se fosse ontem. Em 1984 eu estudava no Sigma – ano de inauguração da escola. Costumava ir e voltar de lá com o Babú (ex-Diamante Cor-de-Rosa e Peter Perfeito), que estudava no Objetivo ao lado do Sigma.

Lá também estudavam Wagner, Ricardo e mais uma penca de maus elementos. Ao final da aula ficávamos todos ali no estacionamento conversando, fazendo hora e combinando o que fazer à tarde, antes de ir pra casa almoçar. Lembro que em um desses dias Wagner me disse que iria formar uma banda com Babú e que teria dois vocalistas. Prontamente falei: “o outro sou eu!”. A negativa de Babú foi na lata, sem pensar duas vezes... HeHe. (um dia você me paga Victor!).

A partir daí fui aos primeiros ensaios, primeiros shows (do 1º show na 203 norte tem uma foto da platéia no meu livro). Foram nesses primeiros ensaios na casa de Ricardo que conheci Tom, que nem sabia pegar numa guitarra. Minha primeira letra foi musicada pelo Peter e se chamava Estado de Sítio.

Lembro de Tom, já na banda, rato de estúdio, gostava de ficar observando tudo: o equipamento, o instrumento, a técnica, a engenharia, cada botão da mesa de som. Dessa forma aos poucos acabou naturalmente se tornando um (fantástico) produtor musical.

Nesse inicio de carreira, caiu na mão de Tom à incumbência de colocar para funcionar o A&R Estúdios no RJ. Hoje não sei, mas lá gravaram diversos artistas de peso. Qualidade de primeira. Foi lá que conversei com Tom para o meu livro. Foi lá que Peter Perfeito gravou o Funk Rock Nervoso, seu segundo disco, lançado em 1995.

Com a saída de Tom do Peter em 1989, a banda deu uma parada, mas Ricardo, baterista e irmão de Tom, resolveu retomar a banda e chamou Marquinho (N.E.: hoje no Raimundos) para guitarra. Depois de mais uma pausa por conta de uma viagem de Marquinho à Europa, a banda voltou a tocar, dessa vez com um repertório a la Red Hot Chili Peppers, misturando punk-hardcore-funk. Foi exatamente nessa época que Tom começava a trabalhar no A&R. Depois que botou tudo em pé, ele tinha que fazer testes e uma das bandas chamadas para esses testes foi o Peter Perfeito. Dado Villa-Lobos escutou, gostou e resolveu lançar pela Rock It! em parceria com a Virgin.

Por se tratar de uma gravação onde Tom também observava o funcionamento de tudo, a produção acabou saindo um primor. Sem dúvida um dos melhores trabalhos dele dentro do rock – e um dos melhores de 1995. Ali está bem impressa sua personalidade. Lembrando que Peter também tinha uma química absurda, todos ótimos músicos e estava tudo na brodagem.

Os trabalhos de Tom, seja no rock ou na MPB, são todos para escutar no volume máximo e com fone de ouvido. Com o Funk Rock Nervoso não é diferente. O negócio é realmente nervoso, pesado e bem executado. Sou fã da bateria de Ricardo, que descia a porrada no instrumento (Ricardo e Bacalhau são da mesma escola). As letras são ótimas e, mesmo mudando a sonoridade, o Peter não perdeu seu humor característico.

Baixe o Funk Rock Nervoso, ponha em seu mp3, coloque no 10, porque a primeira “Ventos do Mal” já é um chute na boca do estômago.

Peter Perfeito - Funk Rock Nervoso (Rockit, 1995)

1. Ventos do Mal
2. Mercado de escravas brancas
3. Vai embora espírito
4. Deus
5. Paranóia
6. Antonieta
7. Maconheiro não é sem vergonha
8. Lili Carabina
9. O Oportunista
10. X-9
11.Crianças
12. Toca aquela aí
13. Encostar a cabecinha
14. Fiquei rico com o puteiro
15. País em lei
16. Killing na Arab

BAIXE AQUI


Uma boa semana para todos!

Pausa rapidinha para o futebol

Estou acompanhando a polêmica que se criou depois da vitória incontestável do Barueri sobre o Flamengo. Alguns jogadores do Barueri admitiram ter recebido um "bicho" extra pelo resultado. O bônus teria sido pago pelo Cruzeiro, que é um adversário direto do clube carioca na luta pelo título ou, na pior das hipóteses, por uma vaga na Libertadores de 2010. Até o STJD ameaça intimar os atletas do Barueri para ouvir as explicações. Isso pra mim não faz o menor sentido, mesmo que se confirme a suposta "mala branca".

Ora, ninguém ganha um jogo de futebol só por querer vencer. Os caras podem se entregar mais, comer grama, correr por três, mas nada disso garante que o resultado será positivo. Entregar o jogo é fácil, basta o time afrouxar a marcação, o goleiro pular atrasado na bola e se mesmo assim o adversário não tiver competência pra definir a partida, ainda restará a possibilidade de se fazer pênaltis sucessivamente até o adversário conseguir marcar um gol. Vender derrota é possível. Vender vitória não.

O que se pode questionar é que um jogador profissional devidamente remunerado e com salários em dia não precisaria de uma "motivação extra" pra se entregar de corpo e alma nas partidas. Mas, isso já é um assunto entre empregado e empregador. Volto a dizer, se prêmios altos garantissem vitórias, o Real Madrid não perderia um jogo sequer.

O time do Barueri jogou muito e sapecou um 2 x 0 que ficou barato pro Flamengo. Poderia ter sido uma goleada histórica. Assim foi o jogo e por isso acho muito feio para o Flamengo e seu elenco caríssimo, acreditar de que um simples "bicho extra" de fim de ano tenha feito os jogadores do modesto Barueri demonstrarem muito mais raça e gana de vencer do que o rubronegro do Rio exibiu no decorrer do jogo. Muito mais feio do que aceitar um gratificação por uma vitória incontestável dentro de campo.

+ de 5.000 downloads!



Desde a publicação do show do Little Quail no Porão do Rock 2009 percebi uma turbinada geral nos downloads do blog. Eles ultrapassaram a marca de 5.000 baixadas. Muito bom!

Dando prosseguimento à série de coletâneas das bandas brasilienses desta década, aí vai a segunda, espero que curtam. Novas coletâneas serão publicadas até dezembro.

Coletânea Rock Brasília, desde 1964

1. Enema Noise - (we're better) Out of Control
2. Gonorant$ - Marciana
3. ASKeS - Carro Novo
4. Lucy and the Popsonics - Estetoscópio
5. Os~ - O conselheiro
6. Quebraqueixo - Jura de morte
7. Pulso - NDA
8. Cadabra - Adoração e plástico
9. Satanique Samba Trio - Deus odeia samba rock
10. Sons de Quarto - Vomita Tripa
11. Suíte Super Luxo - Heartcore (merthiolate hamlet)
12. Prot(o) - Eletroacústica
13. Meias Descoloridas - Amor espacial
14. Velhos e Usados - Reflexões Voláteis (ao vivo)

BAIXE AQUI

Uma boa semana para todos!



CtrlC CtrlV: Tico Santa Cruz no Raimundos?

Texto publicado originalmente na Rolling Stone, Ctrl C Ctrl V em tempo real.



Foto: Reprodução/MySpace
Tico Santa Cruz (centro) no Raimundos?
Tico Santa Cruz (centro) no Raimundos?
Tico Santa Cruz, frontman do Detonautas, se disse pronto para assumir os vocais do Raimundos, para série especial de shows. A banda brasiliense de hardcore conheceu a fama sob liderança de Rodolfo, à frente dos microfones até 2001, quando, convertido à fé evangélica, abandonou o grupo que ajudou a fundar em 1987.

Cruz manifestou sua vontade por sequência de mensagens no Twitter, na sexta, 16. Primeiro, ele disse que ligou para Digão, que começou como baterista, mas atualmente se encarrega de vocal e guitarra no Raimundos. "Sou fã há tempos, me ofereci para fazer alguns shows junto com eles no vocal da banda... Preciso de rock", afirmou Tico no microblog.

Passados 15 minutos, veio a segunda mensagem: "Vou botar pilha e a galera que curte Raimundos e que e é fã como eu, se achar válido coloque tbm (sic). Vamos nos reunir para conversar. Será FODA!".

Cruz já gravou "Eu Quero Ver o Oco", hit da banda que teve popularidade prejudicada com a saída de Rodolfo. A faixa entrou em Roque Marciano (2004), segundo dos quatro álbuns de estúdio do Detonautas.

O músico carioca sinalizou fortes chances de a parceria vir à tona no futuro. "Lelelele, acho que vai rolar mesmo!!! UHUUUUUU" e "AGUARDEM, em breve dou notíciasssssss!!!!" foram as últimas frases postadas no Twitter sobre o assunto, tudo no espaço de 45 minutos.
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Hmmmmm, sei não....
Uma boa semana para todos!

Vídeo: Porão do Rock 2009

Eu sei que já tem um tempo que aconteceu o festival e que já se falou tudo o que era pra ser dito. Mas, encontrei por acaso uma matéria bacana sobre o domingo do revival no Porão do Rock 2009 e resolvi trazer pra cá. Essa matéria foi produzida para o programa Contradição Show e publicada no Youtube.

Blogs Bróder 2


Nessa segunda postagem sobre os Blogs Bróder (aqueles que ficam na coluna da direita, ordenados por data de atualização) falarei sobre mais três que são muito bons.

O Pinduca’s Blog é editado pelo Pinduca, ex-Anticorpos Corrosivos, Maskavo Roots e Prot(o). Ali se encontram alguns dos melhores textos sobre música da atualidade. São análises muito bem sacadas e feitas com a fina ironia e o humor de quem tem muita intimidade com o que escreve.
O Cherri à Paris é o blog do Daniel Cariello, editor da Revista Brazuca na França e que publicou no início da década o excelente zine A Verdade. São crônicas impagáveis, e sempre bem inspiradas, do cotidiano. Humor inteligente que provoca gargalhadas de pastelão. Sou suspeito para falar porque admiro o texto do cara desde os tempos do zine, mas vá lá e dê uma conferida.
Por fim,  recomendo o Sete Doses de Cachaça, do parceiro de RockBsb64, Paulo Marchetti. Ali você encontra um recorte interessante que reúne crônicas, memória musical e transcrições de antigas reportagens. Muito bom também.
Espero que curtam as indicações, até o próximo Blogs Bróder.


Marchetteiras: Rock Brasília (Revista Roll - maio 1984)

Aqui segue uma reportagem da revista Roll de maio de 1984. Só para localizar: nesse período entre 1980 e 1985 as principais revistas de música eram Som Três, Pipoca Moderna e Roll. Entre 1983 e 1985, a Roll era a principal referência, tanto para o rock brasileiro quanto para o internacional. Como sempre fiz a transcrição fiel da matéria, inclusive com os erros. Além do conteúdo vale observar as gírias e a forma como eram escritas as matérias.



Revista Roll – Ano 1 – Nº 9 – pág 28, maio 1984

Rock Brasília – Notícias da Corte
Por Tom Leão


No Brasil, quando se fala em rock, geralmente só são citadas bandas paulistas ou cariocas, como se não existissem representantes dessa corrente musical em outros estados. Nós aqui na ROLL estamos mostrando que há rock além da região sudeste, com matérias do sul, do norte e agora da região centro-oeste. Diretamente do planalto central, o rock de Brasília (e não me venham com esse papo de rock tupiniquim – argh!).

Pra começar a turma do planalto sofre dos mesmos problemas da turma de outras plagas: não há lugares onde tocar, não há público, os ensaios são divididos fraternalmente em salas algugadas em conjunto no Brasília Rádio Center e se algum deles realmente estiver a fim de futuro, tem que vir a procura dele fatalmente no Rio ou em São Paulo.


Mas eles vão à luta e
bandas brotam constantemente e é válido destacar que o pessoal lá está bastante atualizado em relação ao rock que se faz atualmente em lugares como Londres, por exemplo. Não pensem que vão ouvir heavy ou blues, isso eles deixam pros retrógrados, a txurminha do DF está mais para Killing Joke, Echo and The Bunnymen e até mesmo pra coisas americanas tipo Dead Kennedys. Também não venham querer chamá-los de punks, new wave ou new isso ou aquilo. No rótulos.



Algumas bandas brasilienses: Capital Inicial, Legião Urbana, Plebe Rude (essas três inclusive gozam de grande prestígio aqui no sudeste), Elite Sofisticada, Gestapo, Scolla de Scândalo (antiga XXX), Catequese, Mantenha Distância, Sociais, Diamante Cor-de-Rosa (a primeira “rock kaphona” do país) e mais e mais. Dessas todas, a que vem conseguindo um maior espaço a duras penas é a Legião Urbana (guardem bem o nome). São suas composições “Química” – gravada pelos Paralamas do Sucesso – e “Veraneio Vascaína”, que os mesmos PDSes tocavam em seus primeiros shows e até hoje é bastante pedida.


A Legião Urbana (Legio para os íntimos) está em contato com o pessoal da Odeon (que a princípio queria que eles tocassem country, vejam só!) e parece que breve aparece um compacto abre-alas. Algumas músicas que possivelmente estarão nesse compacto, já tocam na programação da Fluminense FM (RJ) obtendo grande receptividade. São elas: “Geração Coca-Cola” e “Ainda é Cedo”. A Legio é também uma das poucas bandas que mantém a formação original que é Dado Villa-Lobos (guitarra), Marcelo Bonfá (bateria) e Renato Russo (baixo, vocal e excelente letrista), pois as outras mudam frequentemente, não dando pra citar que é quem. Outra banda que muito agita é o Capital Inicial, mais elétrica que a Legião e que em suas apresentações não deixam ninguém sequer piscar. Não citarei componentes para não dar furada, mas o vocalista constante é o Dinho, que é muito bom no palco e com a platéia, e “Descendo Rio Nilo” é uma música que toca bem na já citada Flu FM.


Agora a Plebe Rude por eles mesmos: “Moramos em Brasília, capital da esperança, cidade não projetada para jovens, cidade que não tem nada pra fazer. Aqui não há arte, não há cultura, tudo é temporário, nada é permanente. E foi nessa cidade que a Plebe Rude se juntou pra tocar, não como hobby, mas como tentativa de fazer algo diferente, algo que não estava nos planos de Lúcio Costa. Muitos perguntam o que somos? Que rótulo nós temos? Será que somos punks, new waves, neo românticos? Somos apenas Plebe Rude.” E quem quiser conferir basta ouvir “Sexo & Karatê” e “A Dança do Semáforo”, entre outras. Esse texto explica totalmente o rock de Brasília.


E pensar que tudo isso surgiu de um aborto. Sim, Aborto Elétrico (1978) foi a banda que começou tudo isso embalado pelos punks e de lá pra cá muita coisa já rolou e continua rolando tão veloz como antes. E como bem disse Hermano Jr. “O Cerrado Contra Ataca”. E podem apostar que será um ataque sem tréguas e revitalizante para o rock nacional.


Agradecimentos a Ricardo Junqueira do Elite Sofisticada por algumas informações. Ah, surgiu uma nova banda: Finnis Africae. Em Brasília 19:00hs.


Foto Finis: Curioso que a formação da foto é a primeira ainda com Alessandro como guitarrista (o 1º da direita para esquerda)

Foto Elite: Acredito ter sido a primeira e única vez de uma reportagem em nível nacional com Bolinha como vocalista. Bolinha é o fotógrafo Ricardo Junqueira da Pós-New (segundo da direita para esquerda). Ele ficou na banda durante mais ou menos um ano substituindo Gastão, que depois voltou.


Entrevista: João Angelini do Gilbertos Come Bacon


Eu conheci o Gilbertos Come Bacon antes de começar a publicar o blog, e foi o nome esquisito me chamou a atenção. A verdade é que gosto de conhecer bandas com nome esquisito, mesmo que sejam umas m*rdas – o que não é o caso deles, diga-se. Aliás, pra mim, nomear banda é uma arte à parte, mas isso guardo pra outra postagem.

Então continuando, a planaltinense Gilbertos Come Bacon é hoje uma das bandas brasileiras da novíssima geração, ao lado de Macaco Bong, Cérebro Eletrônico, Los Porongas e dos conterrâneos Velhos e Usados, que conseguem incluir elementos distintos da música brasileira em seus rocks com decisão e personalidade. Algo longe do que parece ser a regra do circuito independente atual. No caso específico do Gilbertos, eles conseguem equilibrar, sabe-se lá como, rock pesado, experimentalismo e pop, vertentes aparentemente antagônicas. Vale destacar também a percussão poderosa e as letras bem elaboradas.


O vocalista João Angelini conversou comigo pela net e falou um pouco sobre a atual cena independente brasileira e o bom momento vivido pela banda, que vem sendo bastante elogiada em shows pelo Brasil e começa a conquistar seu espaço no cenário nacional com dignidade, coragem e competência profissional.



Cara, o Gilbertos tem tocado fora de Brasília com certa frequencia, como tem sido a resposta do público?

A resposta tem sido ótima. Nos últimos shows em Fortaleza, na Feira da Música, e em Goiânia, no Vaca Amarela, fomos muito bem recepcionados pela galera. A produção muito cuidadosa, e o público já esperando a gente. Roda de pogo nervosa e mosh rolando o show inteiro. Isso foi muito legal e diferente das viagens do ano passado nas quais ainda estávamos buscando terreno e público nesses locais.

Nas nossas primeiras saídas fora do DF a gente sempre foi bem recebido, e sempre teve um ótimo retorno, sempre com convites pra mais eventos. Mas o clima do show sempre era de surpresa, ninguém tinha ouvido falar da gente, sempre gostavam, mas ainda olhavam o show de forma desconfiada, analítica e deixavam de efetivamente curtir nosso som. Acho que é um caminho natural, afinal nunca tinham ouvido a Gilbertada e nosso som não segue um formato convencional. Isso faz com que a postura do publico nos primeiros shows seja ainda de avaliação. Mas depois das apresentações a gente sempre colheu muitos elogios. Esse ano retornamos a dois lugares que tocamos ano passado: Fortaleza e Goiânia. Voltamos por reconhecimento das performances do ano passado. E tocar a segunda vez nos mesmos lugares foi bem diferente. Foram as primeiras vezes que tocamos fora e não fomos uma surpresa, dessa vez a galera meio que já esperava pelo nosso som. Reconheciam e vinham falar com a gente antes do show dizendo que estavam ali pra nos ver. Durante a apresentação, principalmente em Goiânia, tinha um pequeno grupo de, mais ou menos, umas 20 pessoas que pedia música e já cantavam boa parte do nosso show. Muito legal!

Esse ano o retorno da crítica tem sido muito bom também. Estamos com o CD na mão, rodando por aí. Essas duas cidades que passamos deram esse grande retorno. Uma série de resenhas carregadas de elogios. Muito legal.

Nessas andanças, chegaram a notar alguma diferença fundamental em relação aos shows por aqui?

Bom, fica dificil traçar alguns comparativos entre esses eventos. Na minha opinião está acontecendo um certo nivelamento nesses eventos, eles estão ficando cada vez mais parecidos. Ainda não sei se isso é ruim ou legal. Acho que bons exemplos devem ser seguidos e multiplicados, mas também acho que cada evento tem que ter um diferencial, uma particularidade. A Feira de Fortaleza foi a pioneira no formato, a primeira a promover uma rodada de negócios entre bandas e produtores, gravadoras, marcas de instrumentos, etc. Há anos promove, além dos shows, uma série de debates, palestras e encontros que interessam a classe artística e empresarial da música.

Esse formato se multiplicou e esse ano, aqui no nosso Porão, tivemos essa primeira experiência com dois dias reservados pra isso. Bom demais, pois esse espaço é super importante pra fortalecer a cena independentes e diminuir a distancia entra as diferentes instâncias da rede de produção da música. Diminuir o amadorismo e colocar os músicos, produtores e publico para conversar sobre as deficiências e qualidades da cena e do mercado. Mas ainda espero que, além de seguir bons exemplos, os organizadores dos eventos tenham coragem de experimentar novos formatos em busca de relações entre música e público.

Quanto aos nossos shows, a gente é sempre muito bem recebido tanto dentro de casa como fora. Claro que tem uma diferença. Aqui nos somos só mais uma banda, somos amigos de grande parte dos que assistem nosso show, existe uma relação de intimidade e proximidade muito legal, que faz a coisa ficar mais "quente". E fora a gente fica com uma aura mais "glamourosa": somos banda de fora, já comentada e esperada pela galera, tocando em horário de banda grande (fechamos o palco de Rock na Feira da Musica, por exemplo) e óbvio que isso cria um clima, uma expectativa no público e facilita a receptividade do nosso som experimental. Isso também cria um "calor" na apresentação. É diferente tocar aqui e em outra cidade, agradavelmente diferente.

E também tem a diferença básica entre capital e cidade do interior. Nas capitais o público é acomodado, meio reticente, demora pra engatar. Numa cidade do interior as pessoas se empolgam com mais facilidade, pois têm menos chance de ver show. Fui assistir a um show em São Paulo e a galera estava sentada, contemplando. Uma amiga comentou, “lá de onde eu venho isso aqui estaria fervendo”.

A gente viveu bem esse "frever" do interior em Montes Claros (MG), ano passado, e em Inhumas (GO) esse ano.Mesmo sendo desconhecidos nos lugares, fomos recepcionados com muita energia e rolou uma pogação de numa escala surpreendente. Não é a toa que as cidades do interior hoje, protagonizam as grandes iniciativas da música independente do Brasil.


Hoje, vivemos um momento único, pela primeira vez as bandas independentes dispõem de todas as ferramentas necessárias para que não dependam mais de terceiros para mostrar seu trabalho. Mesmo assim, algumas preferem se tornar, com perdão da redundância, um produto a mais na prateleira de "produtores independentes". O que você acha que atrai artistas para algo de que eles deveriam querer se livrar de uma vez por todas?

Cara, isso é complicado demais. Um dia sentaremos só pra conversar disso, vai ser um papo longo, hehehe.

Primeiro acho que deveríamos rever o termo independente. Não acredito nisso. Acho que existe um novo sistema, que leva esse nome de independente, mas que na verdade ainda continua a estabelecer relações de dependência entre os artistas e os novos empresários. Claro que existe em alguns casos uma espécie de acúmulo de funções, onde a própria banda ou artista é também o empresário, o produtor, o dono do selo, do coletivo, etc. Isso gera uma certa independência, pois não existe mais um mediador entre o artista e o público. Mas são poucos os casos desses "artistas-empresas". Nas artes visuais isso é mais comum. O marchand praticamente não existe mais, o próprio artista vende o seu trabalho, assume a postura de empresário da arte paralela ao papel de artista. Seria muito bom que mais bandas tomassem essa postura também, dependendo menos de terceiros.

Mas esse artista-empresário não é resultado das novas tecnologias, dos acessos mais baratos e generalizados. É uma questão de postura. Esse papo de que a tecnologia diminuiu a distancia entre público e artista é muito delicada. Porque de um lado é verdade que seu som, vídeo, texto ou foto está na internet pra quem quiser ver. Por esse lado a coisa realmente facilitou o acesso. Mas temos que pensar também em como esse seu produto que está acessível circula, em como o público chega até o seu produto exposto. Assim como existe o seu trabalho, existe o de mais um bilhão de outras pessoas, todos se acotovelando. Pra se destacar nessa multidão, a dependência dos meios oficiais ainda é enorme.

Ter um material na net não significa que ele vá ser visto e consumido. Aí que vemos que a coisa que é anunciada como a “revolução” na verdade não mudou tanto as velhas relações e o poder institucional de alguma marcas. Um vídeo, música ou texto, só vai ter um milhão de acessos se for divulgada por algum meio com mais poder e credibilidade. E essa história é perigosa demais. Porque serve de poder de sedução para artistas carregarem suas criações em sites como MySpace e YouTube na ingênua expectativa de terem visibilidade. Com isso abastecem essas empresas com produtos de qualidade gratuitamente, onde só quem lucra são essas empresas. Acho isso tudo muito errado, empresas como MySpace e YouTube lucrando milhões em cima do trabalho gratuito dos artistas. Qual banda ficou famosa só por esses recursos? As que aparecem na mídia como fenômenos da internet são em sua maioria falsas, fachadas. Na verdade sempre tem um empresário por trás injetando muita grana e influência, pra ter boas resenhas em blogs especializados de críticos já reconhecidos, pra ter tempo em matérias de jornais, pra ter entrevista em horário nobre, pra terem seus produtos indicados em premiações e tal. Depois disso, é claro que seu MySpace vai bombar!



Vejo isso bem claramente no MySpace do Gilbertos. A gente tem uma média de 30 audições de nossas músicas por dia. Quando temos nosso nome veiculado à divulgação de eventos que já têm muita mídia e espaço (como o Porão do Rock) os números sobem pra 250, 300 audições por dia. Isso é muito sintomático e confuso! Porque ao mesmo tempo em que é a força institucional do Porão que eleva o acesso, é também esse espaço, o MySpace que permite essa visualização. Acho que devemos usar isso tudo como ferramenta associada a mil outras ações, porque só pelos novos espaços, sem depender de outras ações, as únicas pessoas que lucrarão com o MySpace e o YouTube são seus respectivos donos.

Por não acreditar nessa independência, acredito que a relação dentro dessa cadeia é sempre pela busca da melhor posição na prateleira de produtos, sejam os novos festivais ou os velhos jornais e revistas.

Voltando aos shows. E o disco? já cantam as músicas nos shows, a bolachinha tem tido boa saída?

O disco vai bem. Inclusive tem um aqui guardado te esperando... AHehaehaehEAHEA (Nota do RckBsb64: O Evandro Esfolando também me deu um cutucão pela minha enrolação para comparecer a eventos, hehehe).

Temos muito orgulho do resultado estético e sonoro, e a gente conseguiu vender um número significativo pra inserção que o Gilbertos Come Bacon tem. Ainda não temos o primeiro relatório de vendas dos CDs e vendas pela net. Mas só da nossa mão já fora vendidos aproximadamente 300 cópias em menos de 4 meses.

Mas o mais importante do disco é o poder institucional que essa “mídia em declínio” ainda tem. A banda se apresenta com mais credibilidade. Infelizmente, o sistema ainda cresce o olho nessas coisas e dá pra sentir a diferença de tratamento que temos antes e depois do CD por parte de vários produtores pelo Brasil.

Quanto a galera cantar as músicas, aqui em Brasília já vem rolando tem um tempo. Principalmente as músicas que já tinham versões ao vivo de ensaio no MySpace. Em Fortaleza e, principalmente em Goiânia, tinha um pessoal que tava pedindo músicas (como Piolho, Minha Casa e as versões de Babau do Pandeiro). Cantavam as músicas e vários refrões. Sem contar as rodas de pogo e mosh!

Agora no final do ano vamos divulgar o disco e tocar no festival Demo Sul, em Londrina. Pra gente vai ser bacana fazer uma divulgação em uma região na qual ainda não tocamos, faz parte do nosso projeto, colocar o CD pra rodar em todas as regiões do país, juntamente com o nosso show. A Gilbertada vai e leva disquinhos e produtos de bacon junto!

Mas, pelo menos pra gente, tem uma grande diferença entre o show e o disco. Temos muito orgulho do resultado do disco, mas a empolgação do show é o nosso forte. No disco a gente pôde brincar com os arranjos, inventar, fazer novas coisas. Mas nada substitui a graça de um show.


E na net, quando vão liberar o download gratuito? Já teve gente reclamando por eu não postar por aqui, hahahaha.

Vixe!

Esses fonogramas tem essa limitação. O selo responsável pelo CD (GRV) entende que o artista tem que ser pago sempre. A gente também acredita nisso, mas diferente, entendemos que o download gratuito é um investimento publicitário. O que acontece é que não temos controle sobre esses fonogramas. Apesar do Gilbertos Come Bacon ser uma banda 100% independente, sem vínculo nenhum com nenhuma gravadora, selo ou produtora, o nosso disquinho não tem o mesmo espaço e não nos pertence. Foi um prêmio que ganhamos no Festival Universitário promovido pela GRV no final de 2007. Apesar da banda conseguir se manter independente, não tinha como aceitar a premiação sem essa limitação com os fonogramas. Fazia parte do contrato aceitar essa parte de não deter esses direitos. Mas acho justo esse controle e essa postura da GRV, mesmo se o Gilbertos como banda acredita em posturas diferentes. Afinal, foi um prêmio que projetou a gente, que possibilitou um puta amadurecimento no processo de gravação e aprendermos a nos relacionar institucionalmente. Valeu a pena.

Mas a gente já tá preparando um disquinho novo. Esse nós ainda não sabemos como vamos gravar. Mas tá ficando lindo. Estamos bem mais maduros e fechados no nosso som. Agora temos distanciamento pra ver o produto do nosso processo experimental, que culminou no nosso 1º disco, e estamos só lapidando a estética do Rabicóre. Quanto mais a gente toca, mais fica claro pra gente que tipo de coisa tem cara de Gilbertos Come Bacon. Estamos conseguindo entender melhor nossa identidade. E esse disco a gente certamente vai botar pra geral baixar.

E antes do disco em si ficar pronto, planejamos lançar músicas avulsas no formato de single, pra garotada poder baixar se quiser e comprar no show a música física, no CD, com uma arte bacana. Conforme formos produzindo e gravando o disco, vamos “soltando” a gordura pra garotada se lambuzar.

Capotas e Focas



As bandas Gramofocas e Capotones lançaram seus primeiros álbuns pelo mesmo selo, o brasiliense Prótons. Foram duas bandas que protagonizaram a cena billy na primeira metade da década 00.

O Capotones, como já falei por aqui, foi disparado a melhor banda desse segmento surgida após o Little Quail. O Gramofocas, que ainda existe, foi uma espécie de Jonas Brothers do underground, vendeu bastante discos (pros padrões independentes de hoje, diga-se) e seus shows eram sempre cheinhos. Musicalmente era uma banda de punk'a'billy bem simplória e limitada, e que nunca agradou aos meus ouvidos. No entanto, reconheço que era boa de palco e tinha carisma e pose para fotos.

O segundo álbum das duas bandas foi o split Gang Bang, que saiu em 2008 pelo selo 53HC, de Belo Horizonte, e que agora disponibilizo aqui para download. No vídeo acima, um clipe de uma jam acústica das duas bandas, feito durante a gravação do split. No medley, Misfits e Johnny Cash.

 Gang Bang - Capotones e Gramofocas (2008)




01 - Gramofocas - Ela Só Pensa Em Apanhar
02 - Gramofocas - Parati Surf
03 - Gramofocas - Sarah é Uma Sado
04 - Gramofocas - Loira De Tranças
05 - Gramofocas - Nâo De Drogas Pro Thiago
06 - Gramofocas - De Drogas Pro Gordinho
07 - Gramofocas - Ultima Onda
08 - Gramofocas - As Sete Vampiras
09 - Capotones - Nekropolis
10 - Capotones - Gospel
11 - Capotones - Baby Você Não Tem Pudor
12 - Capotones - Bebado Fácil
13 - Capotones - 53043
14 - Capotones - Café E Pilulas
15 - Capotones - Morte Da Super Modelo
16 - Capotones - Cigarrette

BAIXE AQUI

Uma boa semana para todos!

Acho que só eu não Rio...

Rio de Janeiro será a sede das Olímpiadas de 2016, incrível. Como é possível que um país que não oferece nem uma quadra esportiva pra suas crianças carentes seja premiado? Um país que trata seus atletas com descaso histórico, como pode ser agraciado por isso?

Um país em que mesmo os clubes de futebol, o ÚNICO esporte realmente difundido, estão falidos e em mãos de ladrões incompetentes. Um país cujos atletas de ponta invariavelmente foram treinados em outros países e os raros casos que por aqui ficam, volta e meia estão de pires na mão, mendigando por emprego ou patrocínio.

Um país que realizou um Pan-Americano recheado de obras faraônicas que apodrecem a céu aberto e cujo estádio símbolo, o Engenhão,  foi erguido fora das especificações internacionais da FIFA, mesmo com o Brasil já confirmado como sede de uma COPA DO MUNDO!!!!! Novamente, incrível.

Peço desculpas por estar na contramão do obaoba instalado, mas não dá pra engolir isso. Não consigo entender tanta felicidade por algo que todos sabem (ou deveriam saber) a quem vai favorecer. Fico pensando, se em Atenas ocorreu uma corrupção assustadora. O que não acontecerá por aqui, a Meca da corrupção mundial? Na verdade, esse know how em roubalheira e a capacidade quase milagrosa que nossos empreiteiros têm para triplicar, quadruplicar o custo de qualquer pontezinha meia-boca, devem ter sido os fatores decisivos para a escolha do Rio de Janeiro, Brasil, como sede dos jogos olímpicos de 2016.

Mais uma vez peço desculpas pelo mau-humor. Pelo jeito, só eu não Rio....

Fora dos Eixos: Instigando


Na semana que antecedeu o Porão, li uma entrevista com o Fernando Catatau, produtor musical e líder da banda Cidadão Instigado, em que ele dava umas estocadas na Abrafin.

Na entrevista, ele acusa a associação de promover apenas uma meia dúzia de bandas e que aos músicos são pagos cachês quase simbólicos e tal. Enfim, isso tudo me lembrou das listas e fóruns de discussão daqui de Brasília, onde esse assunto vem sendo levantado há muitos anos mas sempre é desqualificado por uma dedicada tropa de choque.

Motivos pro Catatau dizer isso estão aí por toda a parte. Pensem comigo, hoje os selos independentes ligados à Abrafin se equivalem às grandes gravadoras de 15 anos atrás. Assim como elas, estes selos, que muitas vezes são também as produtoras que agenciam as bandas, disponibilizam para seus contratados pacotes muito atrativos.

Vamos pegar Brasília como exemplo, que é uma cidade pioneira em oferecer shows onde o nome do produtor aparece com mais destaque que o das bandas no cartaz. Aqui, até o maior (único?) jornal da cidade permite que, semanalmente, uma página inteira seja dedicada às agendas culturais disfarçadas de notícia. Algo tão descarado que é comum ver no Correio Braziliense o jornalista Pedro Brandt (co-apresentador do programa Senhor F 100,9) escrever as críticas (invariavelmente elogiosíssimas) sobre os lançamentos do selo do seu parceiro de programa.... Parece piada, não? Principalmente porque distanciamento é irmão da credibilidade e ambos são (ou deveriam ser) a alma de um jornal.

Por essas e outras é que acho extremamente injusto que se considere igualmente independentes, tanto essas bandas servidas de todo uma aparato logístico pré-definido, de mídia (jornais, rádio, sites), distribuição do álbum, shows e festivais, quanto as outras que só tem a si próprios e a sua música pra tentar cosntruir uma carreira profissional. Acho que o conceito de músico independente deveria ser revisto. Bandas auto-gestoras como o Cidadão Instigado ou os brasilienses do Móveis Coloniais de Acaju mostram que é possível ser independente de fato, que não é preciso se atrelar a um esquema onde apenas o trabalho do músico é, obrigatoriamente, filantrópico.

Os jornalistas/produtores de Brasília sempre foram mestres em desqualificar qualquer crítica aos seus métodos e escolhas, não é incomum ver qualquer voz discordante ser chamada de invejosa, sabotadora e outros adjetivos menos nobres. E é aí que está a importância da entrevista do Catatau, um dos caras mais talentosos da atualidade. Ela revela que, ao contrário do que sempre pregaram essas pessoas, não são poucos os que percebem que tem algo muito estranho nesse meio.

Ilustração: Ziraldo (pescado na net)

Marchetteiras: Totoni (Escola de Escândalo)


No post anterior, que escrevi sobre o Escola de Escândalo, falei da formação com o baterista Totoni, que tinha na veia a mesma pegada de Stewart Copeland do Police.

Achei essa foto no Facebook graças a Marta Brenner (ex-Plebete). A foto é de Bolinha, também conhecido como Ricardo Junqueira, da Pós-New.

Eu disse que esta formação com Totoni foi marcante, pois seu estilo rápido e cheio de 'quebradas' junto com a estupenda e inigualável guitarra de Fejão, dava um diferencial maravilhoso.

Taí o Totoni (hoje ator) em um show no coreto do Gilberto Salomão.

Pra baixar: Little Quail no Porão do Rock 2009


Pois é, preparei uma surpresa pros leitores do Rock Brasília, desde 1964. É que estou disponibilizando o show do Little Quail and the Mad Birds que rolou no domingo (20), dia dedicado ao Rock Brasília no Porão do Rock 2009.

Pra quem não conseguiu ir e nem ouvir pela net, está aí o show que foi considerado o melhor do festival por muita gente. É importante lembrar também, que este show apresentou o LQ para muita gente da nova geração, que podem também baixar por aqui, o primeiro e o segundo álbum, além do EP. Curtam aí!

Little Quail and the Mad Birds - Ao vivo no Porão do Rock 2009

1. 1,2,3,4
2. Berma is a Monster
3. Samba do Arnesto
4. Baby Now
5. Mamma Mia
6. Me espera um pouco
7. Mau-mau
8. A alegria está contagiando o meu coração
9. Conversa
10. O sol eu não sei
11. Família que briga unida, permanece unida
12. Essa menina
13. Aquela
14. Conversa
15. Dezesseis
16. Azarar na W3
17. Umbabarauma
18. Conversa
19. Galera do fundão
20. Cigarette

BAIXE AQUI

O domingo do Rock Brasília no Porão



Neste ano, como todos sabem, a organização do festival convidou algumas das bandas mais significativas do rock de Brasília. Algumas bandas se mostraram impossíveis de se reunir, como ficou claro no caso do Escola de Escândalo. Colocaram o vocalista do Pravda para cantar as músicas do Bernardo e da Marielle e ainda tocar as guitrarras do Fejão, é mole? Fiquei meio sem graça pelos caras.

Detrito Federal e do Dungeon/Fallen Angel, foram bons, muito bons mesmo. No caso do primeiro – Cascão que me perdoe – o Alex Podrão é o Detrito em pessoa. No segundo, os músicos da banda do Alemão, são muito bons e ponto final. O negão (Fejão) é insubstituível, mas a banda remanescente tem competência de sobra.

Os Cabeloduro, foram simplesmente foda no palco dois. Qualquer coisa que eu fale a mais só vai estragar o que estava muito bom e agradável. O público então, nem se fala: pessoas de boa índole – famílias até! – desfrutando um momento de bom humor, diversão sadia sem violência. E versos como ‘estupra mas não mata, estupra e dá porrada’ ou “se eu tenho um ballantines e uma mulher gostosa, vou pra cama me fazer’ eram entoados em clima de colônia de férias.

Rolou até uma reunião surpresa, mas essa entra no rol das impossíveis, mesmo se os caras da banda o quisessem: Legião Urbana. Primeira grande baixa, Renato Russo. Outra ausência, estranhíssima para mim apesar de todo o folclore sobre o temperamento da figura, foi a do baixista Negrete. Talvez algum leitor saiba me explicar por que. Fizeram então uma formação com músicos desconhecidos e alguns meio que manjados.

Mas como eu já disse, é complicado falar de uma banda que vendeu mais discos que os Beatles no Brasil. E de todas aquelas pessoas que estavam lá, poucas viram a banda tocar. A banda tocaria sozinha que a galera faria o resto, como ocorreu em Pais e Filhos. Esta música foi cantada pelo Bonfá no início, mas na prática a platéia que cantou. Aliás, a escolha dos vocais foi muito mal feita, exceção dada ao Tony Platão.

Esta foi a primeira vez que o Legião toca aqui, desde o desastre de 1988. Tem noção que foi a primeira vez que eles puderam falar com Brasília, sem intermediários, desde então? Deixa então o Bonfá se emocionar e falar no microfone, de improviso, que está feliz. Nós também ficamos. E demoramos mais de vinte anos e mais de vinte milhões de discos para isto acontecer. E, sinceramente, gostaria que os caras do Legião soubessem disso.

Um outro show digno de nota: Paralamas do Sucesso. Não tenho palavras para explicar o que é ver aquela banda com tantos anos de carreira, que sem exagero, foi o catalizador da primeira geração de Bsb, tocar na Esplanada, mandando um hit atrás do outro. Fizeram uma parada sensacional em Meu Erro: começaram tocando ela tipo um ou dois tons abaixo, mas o suficiente para não descaracterizar a música e na parte ‘bastaria!’ entravam no tom da música mesmo (eu não estava bêbado; ou foi isso ou um pau nos monitores). Velho parecia que uma onda de adrenalina era despejada na galera de tal modo que a música crescia! Wow!!

Pra encerrar, os ícones dos anos 90 fizeram bonito. Maskavo Roots Little Quail compareceram com apresetações deliciosamente memoráveis e com seus componentes originais. Os primeiros, com o line up poderosíssimo de cordas (PrataXPinduca) e uma cozinha muito precisa (MarraraXTxotxa). O Litlle Quail? Bem, só com figuras: o mestre dos palcos – Zé Ovo - a cozinha do Ultraje a RigorBacalhau- e o sistema nervoso central dos AutoramasGabriel. Por fim, o Raimundos parece ter aprendido a usar seu arsenal de hits e estrapolou o tempo em 40 minutos, pra se ter uma noção. Grande festa da música brasiliense.

Texto: Zeca Domingos

Frase do Porão do Rock 2009


"Agradecemos aos Paralamas do Sucesso, à Plebe Rude e à Legião Urbana por abrirem este show do Little Quail", Gabriel Thomaz, guitarrista e vocalista do Little Quail and the Mad Birds.

O Little Quail fez um showzaço na noite de domingo.

Uma boa semana para todos!